Medicina Preventiva ganha terreno

medicina preventibaO termo Medicina Preventiva, na acepção defendida num trabalho de Alberto Pinto Hespanhol, Luciana Couto e Carlos Martins, num artigo da Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, publicado em 2008, “deve ser entendido como sinônimo de Promoção da Saúde, a qual segundo a Carta de Ottawa (OMS, 1986) consiste no processo que visa criar condições para que as pessoas aumentem a sua capacidade de controlar os fatores determinantes da saúde, no sentido de a melhorar.”

No mesmo âmbito, os autores subdividem a promoção da saúde em três vertentes de ação “inter-relacionadas e complementares”: Educação para a saúde (comunicação para facilitar a aprendizagem da saúde); Prevenção da doença (medidas para evitar, detectar e tratar precocemente as doenças) e Proteção da saúde (medidas para controle dos factores de risco).

Como, defendem os autores, a educação para a saúde é basicamente preventiva. A Prevenção pode ser primária, secundária, ou terciária.

A primária respeita à promoção de comportamentos que levem ao bem-estar ou evitem a doença, como os bons hábitos alimentares, a vacinação o exercício ou o evitar de acidentes.

A secundária visa reduzir a prevalência da doença na população e inclui, por exemplo, o rastreio para detecção de doenças em pessoas sem sintomas ou a utilização adequada dos serviços de saúde.

A terciária pretende reduzir a incapacidade provocada por uma doença e passa a conseguir a adesão do doente às terapias e, igualmente, a reabilitação. É nesta dimensão que se inclui a gestão da doença crônica.

Há também autores, citados no estudo, que apontam para uma vertente de prevenção Primordial e para outra quartenária. Nas palavras dos autores, “a prevenção primordial está relacionada com as doenças crônico-degenerativas e visa evitar o aparecimento de estilos de vida que possam contribuir para um risco crescente de doença, como por exemplo a nutrição inadequada, a prática irregular de exercício físico/sedentarismo e o tabagismo”.

A quartenária é também designada de iatrogenia, que está diretamente ligada ao ato ou prática médica. Ou seja, um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas por ou resultantes do tratamento médico. Uma área que levanta mais questões do que certezas e que coloca problemas éticos aos próprios médicos, nem sempre fáceis de ultrapassar.

O estudo define como objetivos gerais da educação para a saúde: informar os pacientes acerca da saúde e dos seus problemas em geral ou em particular; tentar mudar o comportamento dos indivíduos para o benefício da sua própria saúde e encorajá-los a evitar as situações que conduzem à doença; informar o público dos serviços de saúde disponíveis, promovendo a sua utilização adequada; e promover a responsabilidade dos pacientes pela manutenção da sua própria saúde.